ESTE PAÍS É PARA VELHOS

No ano passado, Portugal contava 26.000 habitantes a menos do que em 2017. Não seria grave se a este declínio não fossem acrescentadas as reduções dos últimos 10 anos, até chegar, com alguma subida ocasional, a uma população semelhante à de finais do século passado: 10.291,000 habitantes. No ano passado, nasceram 87.000 portugueses e 113.000 morreram, segundo o INE luso.

Em 40 anos, a taxa de natalidade de Portugal passou de ser a mais alta da Europa a uma das mais baixas, segundo dados do escritório de estatísticas da União Europeia, o Eurostat. No ano passado nasceram 8,4 crianças por cada 1.000 habitantes, apenas acima às taxas de Espanha, Grécia e Itália.

De acordo com o estudo Sustentabilidad del Sistema de Pensiones, publicado há algumas semanas pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2070 a população terá caído 23%, para ficar em 7,9 milhões de pessoas, enquanto a população em idade ativa cairá 36%; ou seja, 34% da população ativa manterá 66% dos portugueses, uma situação insustentável para o pagamento das aposentadorias. A seguridade social entrará em déficit crônico a partir de 2027, segundo o porta-voz do projeto, Amílcar Moreira.

A demógrafa Maria João Valente Rosa é a favor de se acabar com as convenções de idade – jovem até os 14 anos de idade; a partir daí e até os 64 anos, trabalhador, e idoso a partir dos 65 anos. Uma convenção internacional que serve para homogeneizar as estatísticas, mas que no século XXI, o século do conhecimento, parece pouco comparável com a época fabril em que esses três terços da vida humana foram estabelecidos.

A solução para garantir as aposentadorias passa por diferentes frentes, de acordo com a Fundação Manuel dos Santos, embora a mais mencionada e impopular consista no adiamento da aposentadoria que, em Portugal, já estará em 67 anos. Outra medida é aumentar dos atuais 55 anos para 60 a idade da aposentadoria antecipada ou aumentar os impostos sobre os salários. A especialista Susan Peralta lembra que os salários pagam apenas 40% das aposentadorias, por isso teremos de recorrer a outras medidas, entre elas a promoção da imigração que, por enquanto, apesar da boa vontade do Governo, não acontece. Enquanto as autoridades decidem, a cada dia há 365 portugueses a menos.

Fonte: https://brasil.elpais.com/